Humildade e integridade diante de Deus!

1 Reis 9:1-9

(Cf. 1 Reis 3, e 11)

“Se andares perante mim como andou Davi, teu pai, com integridade de coração e com sinceridade, para fazeres segundo tudo o que te mandei e guardares os meus estatutos e os meus juízos, então, confirmarei o trono de teu reino sobre Israel para sempre, como falei acerca de Davi, teu pai, dizendo: Não te faltará sucessor sobre o trono de Israel.” – 1 Reis 9:4-5

Tudo que foi escrito na Bíblia tem uma lição prática para nós hoje.

Assim nos revelou o Espírito Santo por meio do apóstolo Paulo, em sua carta aos cristãos de Roma. (Rm. 15:4).

A narrativa sobre a vida do rei Salomão, por exemplo, tem muitas lições e, uma delas é um alerta: não abra oportunidades que possibilitem seu envolvimento em decisões e atitudes que ofendam a Deus.

O início deste processo é a incredulidade que pode evoluir até à idolatria. Desconfiar da Vontade de Deus é uma semente que se não for arrancada cresce a ponto de tornar a pessoa tão forte, tão cheia de si mesma, que ao final se deixa levar pelos encantos da falsa autonomia.

Impressiona a facilidade com que Salomão colecionou decisões públicas e privadas tão díspares do seu declarado temor a Yaweh. A descrição da vida de fé, humildade e temor a Deus nos capítulos 3 e 9, do livro de 1 Reis, difere profundamente das narrativas do capítulo 11.

Impressiona como ele comprometeu-se com a Lei de Deus e no fim da vida tornou-se idólatra dos deuses pagãos. “Este povo honra-me com os lábios, mas seu coração está longe de mim.”. (Isaías 29:13; Mateus 15:8).

No entanto, se considerarmos que Salomão tenha sido honesto diante de Deus no início, pois o Senhor lhe abençoou, e lhe fez promessas de outras tantas bênçãos no futuro, espanta a reviravolta ocorrida em sua vida de fé para chegar ao ponto, inimaginável, de idolatria explícita.

Esta alternância abrupta na vida de uma pessoa imensamente abençoada com bens materiais e dotes de inteligência além do comum é um lembrete da luta que temos conosco mesmos e da necessidade de nos precavermos e não abrirmos brechas espirituais. Como alertou o Senhor: “Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca.”.

O início de sua vida de fé foi marcado pela honesta humildade espiritual. Ele reconheceu que o povo era de Deus, que a tarefa estava além de suas forças e capacidades intelectuais e, por isso, rendeu-se à Vontade e ao Poder de Deus. Não pensou tanto em si mesmo, mas na tarefa de governar o povo que é de Deus.

Estas bênçãos Salomão recebeu após sua conversa em sonho com o Senhor. Seu coração mostrou-se humilde porque ao olhar para a posição e a responsabilidade de governo em que Deus o havia colocado suplicou por um dom especial: “…coração compreensivo para julgar a teu povo, para que prudentemente discirna entre o bem e o mal; pois quem poderia julgar a este grande povo?” (1 Reis 3:9).

Há um exemplo de humildade aqui para nós: ele declara sua condição de miserabilidade intelectiva, a pobreza da percepção e compreensão dos fatos, a ausência de sabedoria, ou seja, de aplicação prática da Vontade de Deus.

Povo numeroso significa problemas complexos e abundantes. Como discernir as motivações humanas, os interesses pessoais e individuais subjacentes aos problemas de relacionamento humano, de negócios, de guerra, de diplomacia daquele povo?

Esta compreensão de nossa finitude e da necessidade da bênção de Deus é o que agrada ao Senhor, sendo que, do contrário, dirigiríamos nossa vida com total autonomia de Deus, como se fôssemos o próprio Criador.

Quando passamos do estado de humildade espiritual e da vida diária para o da autonomia integral, viver sem a dependência de Deus, sem observarmos os princípios de sua Palavra, esta postura é idolatria.

A idolatria não é simplesmente ter um objeto de culto material, feito por mãos humanas, diante de si e render-lhe homenagens e adoração. Idolatria é um processo que se inicia no íntimo, quando se decide quebrar o vínculo espiritual com o Deus Verdadeiro e afastar-se da orientação da revelação divina sobre quem é Deus e Sua Vontade no viver diário. É a rejeição da revelação e a construção própria de uma deidade. “Não quero este Deus, do jeito que Ele é e se revela, não quero que Ele mande em minha vida e, a partir de agora, criarei meu próprio deus.”.

O objeto de culto idolátrico nada mais é que uma manifestação material daquilo que está fortemente desenvolvido no coração: autonomia e rejeição.

Salomão abandonou a revelação que Deus fez de Si mesmo, fez pouco caso da Santidade de Deus, da seriedade com que o Altíssimo trata estas coisas e, por causa disto, sentiu-se no direito de viver sua vida como bem lhe pareceu, abandonando aquele comportamento de humildade diante dos desafios e diante do próprio Deus.

Então, quais foram as brechas abertas por Salomão em sua vida pessoal e pública, deixadas ao léu, sem controle e nem vigilância?

Primeiramente, associou-se a pessoas que não tinham o temor a Deus.

O casamento com a filha de Faraó, os inúmeros casamentos com mulheres amonitas, moabitas, entre outras, com convicções e comportamentos totalmente diferentes dos israelitas, foram, na verdade, associações, sociedades civis, como é o casamento, em que foi obrigado a franquear sua intimidade, seus bens, seus sonhos e projetos àquelas pessoas que não conheciam a Lei de Moisés e nem tiveram pais que lhes ensinasse a temer a Deus, tornando-se vulnerável a sempre ter uma segunda opinião, não orientada pela Vontade de Deus, sobre suas sábias convicções.

Não é o casamento em si mesmo que é uma brecha, bem entendido. Dou aqui o nome de associação, num sentido bem mais amplo, a qualquer relacionamento que prejudique a pessoa temente a Deus de buscar fazer a Vontade de Deus. Os casamentos de Salomão foram apenas meios diabólicos para diminuir sua percepção e determinação de cumprir a Vontade de Deus, repito.

O apóstolo Paulo repreendeu o apóstolo Pedro quando o viu cercado de cristãos judaizantes que exigiam o cumprimento de procedimentos externos de santificação e não atentavam para a liberdade da Graça. (Gálatas 2:11-21).

Depois, podemos inferir que se cercou de uma grande quantidade de pessoas (suas esposas) que não tinham o temor a Deus.

Difere da ideia acima ao enfatizar o número de pessoas e a pressão que se tem quando estão à nossa volta.

Cerca de setecentas mulheres sem temor a Deus em volta de Salomão gerou uma pressão muito forte e contrária às suas convicções.

Um passo a mais no problema da associação é a quantidade de gente que nos pressiona a pensar de forma contrária à da Vontade de Deus. Salomão estava velho, não queria mais tomar posição, discutir, decidir. Setecentas mulheres, diz o texto, “…lhe perverteram o coração…” (1 Rs. 11:3-4), e com certeza não foram todas ao mesmo tempo, mas seguidamente o pressionaram a estar com elas no culto aos deuses pagãos.

Se estamos no meio de pessoas que não temem a Deus por algum motivo necessário em razão do trabalho, da vida social ou outro qualquer, a atenção deve ser redobrada para não aderir à pressão externa.

Talvez, o último estágio na abertura de brechas seja a adesão pessoal à execução de propostas que afrontam a Deus.

É possível resistir até o último instante! “Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar.”. (1 Co. 10:13)

A brecha da adesão pessoal aos propósitos iníquos é quase um caminho sem volta. É o ápice da incredulidade porque a converte em ofensa pessoal a Deus. No entanto, a situação impossível para o ser humano, a conversão de quem se mete nestas situações quase que definitivas, Deus pode reverter porque como disse Jesus: “O impossível para os homens é possível para Deus.”. O arrependimento é o único e definitivo passo a ser dado pelo ser humano nesta condição. Sem arrependimento não há espaço para a ação de Deus.

Não consta que Salomão arrependeu-se, o que gerou a Ira de Deus contra ele, sua família e seu reino.

Como fechar as brechas?

Continuar a vida de humildade espiritual diante de Deus, dependendo de Deus em todos os momentos.

Temos liberdade suficiente para tomarmos o rumo da vida que quisermos, mas quando entregamos esse itinerário nas mãos de Deus, submetendo nosso futuro, nossas decisões, ao seu escrutínio, Ele endireitará as nossas veredas.

SEJA HUMILDE! DEPENDA DE DEUS SEMPRE E EM TODAS AS OCASIÕES! FECHE AS BRECHAS!

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