O que pode inibir Jesus de agir em sua vida?
Evangelho de Marcos 8:22-26
“Eles foram para Betsaida, e algumas pessoas trouxeram um cego a Jesus, suplicando-lhe que tocasse nele. Ele tomou o cego pela mão e o levou para fora do povoado.”.
O evangelho de Marcos é o único que registra, e pela segunda vez, Jesus isolando uma pessoa necessitada de cura da multidão e do povoado. A primeira ocorreu dias antes na região de Decápolis, quando apartou uma pessoa surda e gaga das pessoas que a trouxeram e do povo para curá-la, registrado no capítulo 7, verso 31.
Não sabemos se Ele fez isto outras vezes. Por isso, parece ser inusitado porque sua rotina era outra.
Durante a maior parte dos três anos que Jesus exerceu seu ministério nas regiões da Judéia, Galiléia e adjacências, sua vida diária era agitada.
Teve momentos em que nem Ele nem seus discípulos tinham tempo para se alimentar.
“Então Jesus entrou numa casa, e novamente reuniu-se ali uma multidão, de modo que ele e os seus discípulos não conseguiam nem comer.” (3:20)
As pessoas percorriam extensas distâncias para chegar até Jesus, subiam pequenos montes para ouvi-lo, atravessavam os povoados ao redor do mar da Galiléia, ficavam muitas horas seguindo-o às vezes por dias, ao ponto de Jesus ter feito dois milagres de multiplicação de pão e de peixe para alimentá-las.
Nestas ocasiões, traziam doentes, endemoninhados, todo tipo de enfermidade e colocavam à frente de Jesus.
“Saindo eles do barco, logo o povo reconheceu Jesus; e, percorrendo toda aquela região, traziam em leitos os enfermos, para onde ouviam que ele estava. Onde quer que ele entrasse nas aldeias, cidades ou campos, punham os enfermos nas praças, rogando-lhe que os deixasse tocar ao menos na orla da sua veste; e quantos a tocavam saíam curados.”. Marcos 6:54-56.
Não foi a primeira vez que pessoas do povoado levavam gente doente para que Jesus as curasse nos povoados por onde Ele passava. Desde o início do evangelho de Marcos há menções a este respeito.
“Ao anoitecer, depois do pôr-do-sol, o povo levou a Jesus todos os doentes e os endemoninhados. Toda a cidade se reuniu à porta da casa, e Jesus curou muitos que sofriam de várias doenças. Também expulsou muitos demônios;”. Marcos 1:32-34.
As improvisações dos ajudadores eram bem criativas e uma, pelo menos, chamou a atenção dos evangelistas pela ousadia do meio empregado para levar o doente a Jesus, a ponto de o Salvador declarar publicamente que os pecados do enfermo estavam perdoados.
“Não podendo leva-lo até Jesus, por causa da multidão, removeram parte da cobertura do lugar onde Jesus estava e, pela abertura no teto, baixaram a maca em que estava deitado o paralítico.”. Marcos 2:4. Cf. Mateus 9 e Lucas 5.
“Vendo a fé que eles tinham, Jesus disse ao paralítico: Filho, os seus pecados estão perdoados.”. Mc. 2:5.
A rotina por aqueles tempos em torno de Jesus era esta: Jesus visitava os povoados, curava, pregava a Palavra de Deus, anunciava a chegada do Reino, as pessoas traziam todo tipo de enfermos, e o Senhor curava a todos, sem exceção, na frente de quem estava presente.
Parece que por uns dois anos a prática do ministério de Jesus seguiu este ritmo e esta intensidade. Jesus curava a todos que se chegavam a Ele e toda sorte de enfermidades físicas e espirituais, como a possessão demoníaca.
Esta alteração em seu procedimento chamou a atenção do evangelista Marcos.
Isto, inevitavelmente, nos leva a perguntar: Por que Jesus retirou estas pessoas do meio do povo, da vila onde estavam, para curá-las à parte?
Muito provavelmente o motivo era a incredulidade da cidade de Betsaida, neste caso, e no caso do surdo e gago, a incredulidade em Decápolis, porque era região de dez cidades gregas, com sua idolatria.
“Ai de você, Corazim! Ai de você Betsaida! Porque se os milagres que foram realizados entre vocês o fossem em Tiro e Sidom, há muito tempo elas teriam se arrependido, vestindo roupas de saco e cobrindo-se de cinzas.”. (Lucas 10:13).
A incredulidade inibe a ação de Jesus. Em Nazaré, onde cresceu, não pode fazer ali muitos milagres, como diz os evangelhos, por causa da incredulidade deles.
“E não pôde fazer ali nenhum milagre, exceto impor as mãos sobre alguns doentes e curá-los. E ficou admirado com a incredulidade deles.”. Marcos 6: 5-6.
Os discípulos e seus apóstolos sempre eram advertidos por Jesus de sua pequena e frágil fé, que é um tipo de incredulidade.
O ministério de Jesus era uma luz no meio da escuridão da incredulidade.
Notemos que logo depois da cura do cego Jesus pergunta aos discípulos quem o povo dizia que Ele era. A resposta foi impressionante porque mesmo diante de tantos milagres e de pregação o povo se mostrava incrédulo. Não criam que Ele era o Messias, o Filho do Deus Altíssimo.
“Alguns dizem que és João Batista; outros, Elias; e ainda outros, um dos profetas.”.
Jesus levou estas duas pessoas à parte para tratar pessoalmente da incredulidade que neles havia. Jesus esperava que eles chegassem ao ponto de rendição que o pai do menino endemoninhado suplicou:
“Creio, ajuda-me a vencer a minha incredulidade!” (9:24).
Eis a razão pela qual Jesus deu tempo ao tempo, cuspiu em seus olhos e perguntou ao cego o que estava vendo.
“Depois de cuspir nos olhos do homem e impor-lhe as mãos, Jesus perguntou: Você está vendo alguma coisa?”
“Ele levantou os olhos e disse: Vejo pessoas; elas parecem árvores andando.”.
Jesus está vivo! Jesus está conosco onde estamos! Ele está pronto para nos ajudar em que precisarmos!
Ele está agora nos dizendo:
“Se podes! Tudo é possível ao que crê!”
O que te falta, prezado leitor, para render-se a Jesus?

One response
Hi, this is a comment.
To get started with moderating, editing, and deleting comments, please visit the Comments screen in the dashboard.
Commenter avatars come from Gravatar.