Que fé Jesus espera que tenhamos?

Evangelho de Mateus 15:21-28

(Cf. Evangelho de Marcos 7:24-30)

“Jesus respondeu: Mulher, grande é a sua fé! Seja conforme você deseja.

E naquele mesmo instante a sua filha foi curada.”.

Eis aqui um relato de uma fé autêntica e grandiosa.

Não foi à toa que nosso Senhor mencionou publicamente perante seus discípulos e apóstolos a qualidade da crença e devoção daquela estrangeira.

Era grega, como informa Mateus, de origem siro-fenícia, da região mais ao norte de Israel daqueles tempos. Um lugar de costume religioso Sidônio, com tradições idolátricas bem conhecidas à época.

Essa mulher surgiu, aparentemente, do nada. Não sabemos onde era sua casa, que nome tinha. Simplesmente, apareceu e esforçou-se por estar perante o Filho do Deus Altíssimo!

Imagino os obstáculos dificílimos que ela enfrentou para chegar à Jesus! Era mulher e estrangeira. As mulheres neste período antigo da história humana eram, muito mais do que hoje, consideradas um objeto de pertença ao homem, fosse o pai ou o marido.

A israelitas sofriam o grande poder que o homem tinha sobre tudo que se relacionasse à sua família. Não há um preceito da lei de Moisés que fizesse subjugar a mulher ao homem, mas passagens como: “Não cobiçará a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma que pertença ao teu próximo.”, eram tomadas como desculpa para concluir que suas mulheres eram parte de suas posses.

As mulheres gregas, apesar de diferentes nos costumes, não eram consideradas cidadãs, a ponto de opinarem sobre os destinos das comunidades gregas, tradição que vinha desde as chamadas cidades-estado, de três a quatro séculos antes do tempo de Jesus.

Quando esta mulher soube que Jesus estava mais perto do que nunca de sua região ela saiu de casa, desacompanhada de sua filha endemoninhada, chegou até onde estava a multidão, gritou desesperadamente por Jesus, até que a linha de separação que faziam seus discípulos não a pode conter mais, e ela se ajoelhou aos seus pés.

Seu grito foi diferente. “Filho de Davi, tem misericórdia de mim!”.

Seu grito foi de fé autêntica. A expressão era destinada apenas ao Messias! Ela poderia ter chamado apenas de “Jesus”, mas escolheu chamá-lo pelo título. Não há dúvida de que com isto tentou chamar sua atenção! Queria ser ouvida! Queria ser recebida!

O diálogo que teve com Jesus naquele momento foi um grande testemunho e ensino para os discípulos!

Jesus não disse como em outras ocasiões: “Que queres que eu te faça?”. A mulher, contudo, abriu seu coração: Minha filha está endemoninhada e está sofrendo muito.”. Jesus ficou calado. Depois disse Ele que tinha sido enviado apenas às ovelhas perdidas da casa de Israel. Mas a fé da mulher insistiu: “Senhor, ajuda-me!”. Então Jesus foi mais claro: “Não é certo tirar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos.”. A partir deste momento ela expressa a grandiosidade de sua fé. Como se dissesse: “Qualquer bênção que o Senhor tiver eu aceito!”, ou como disse: “Sim, Senhor, mas até os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos.”.

A expressão que Jesus teve então faz eco até hoje: “Mulher, grande é a sua fé! Seja conforme você deseja!”.

Nos eventos anteriores a este Jesus chama a atenção dos seus discípulos para a diminuta intensidade da fé que tinham. Eram tímidos! Não tinham a ousadia da fé grandiosa desta mulher.

Contrasta ainda em maior medida quando Jesus ensinou a parábola do semeador (Cap. 13) e os discípulos lhe perguntaram: “Por que falas ao povo por parábolas?”. E Jesus responde citando o profeta Isaías: “Pois o coração deste povo se tornou insensível, de má vontade ouviram com os seus ouvidos e fecharam os seus olhos.”. Noutras palavras, o povo não tinha fé, mas a mulher estrangeira, além de ter, dispunha de uma fé capaz de expelir um demônio!

A incredulidade do povo e dos discípulos tem um contraste significativo neste evento.

Jesus não foi insensível e duro com a mulher. Pelo contrário, amou-a profundamente porque ela depositou tudo que tinha de esperança em suas mãos.

Muita gente daquelas multidões que cercavam Jesus aproximaram-se dEle com diferentes motivações.

Havia os curiosos, por causa dos milagres; havia os invejosos, que queriam arrumar uma forma de contestação; havia ainda os incrédulos, que diziam que Ele era o profeta Elias, ou Jeremias, ou João Batista, ou qualquer outros dos profetas. Em nenhum momento, responderam a Jesus que o povo o reconhecia como o Messias, o Filho do Deus Altíssimo e Vivo.

Por fim, nos resta perguntar por que razão Jesus considerou a fé desta mulher estrangeira como grandiosa?

Ela fez como Jesus havia ensinado no monte das bem-aventuranças: Buscar e bater! Ela insistiu na súplica! Não como as repetições dos gentios, que Jesus antes condenara! Ela caminhou passo a passo no processo de rendição total diante de Deus! Isto é o que o Salmista menciona de “descansar em Deus”.

Ela reconheceu o caminho da Vontade de Deus, que foi o de enviar Seu Filho para as ovelhas perdidas da casa de Israel, não quis alterá-lo, mas pediu uma bênção de libertação.

Ela não pediu a Jesus que a acompanhasse, como o fez Jairo, e nem ao menos pediu que Jesus tocasse na sua filha. Ela saiu dali com o decreto de Jesus: “Seja conforme você deseja.”, direto para sua casa. O que ela pensou no caminho? Era uma fé grandiosa porque recebeu no coração antes de ver, abraçar sua filha e alegrar-se com ela.

            ESTA É A FÉ QUE DEVEMOS TER!

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